Renato Para Senador

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Este blog é o meu palanque. Aqui vocês vão saber um pouco mais sobre vida e obra (?) de um candidato ao Senado em 2022.

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wTerça-feira, Dezembro 04, 2007


Aconteceu no pedágio. Ela me perguntou se, por favor, poderia aumentar a música enquanto pegava meu troco. Foram sessenta longos centavos. Deu tempo para me dizer que era a música de seu noivado. Eles foram para o Guarujá. Dei, mais tarde, um sorriso de superioridade. Eu a teria levado a um lugar melhor. Motivado a ouvir novas confidências, voltava sempre àquela cabine, trazendo a mesma música. Os sorrisos ainda eram tímidos, os olhos quase não batiam com os meus, eram os modos de menina pobre ensinada a não encarar. Só me viu, e de boca aberta, quando voltei com outra música, e disse que era a nossa música.

O jantar veio dois dias depois. Foi estranho vê-la e não lhe dar dinheiro. Caminhava indecisa em um salto que parecia maior que seus pés. Gostei de seus pés. Na cabine, só via dos peitos pra cima. Os peitos, estes sim, estavam altivos. Miravam alguma coisa que o corpo titubeava para encontrar. Tentei admirá-los disfarçadamente, mas, no meio do caminho, seus olhos encontraram os meus. Ela sorria enquanto cantava nossa música. Cantava errado, mais nãnãnã do que a letra, porque quase não sabia inglês. Ela arranhava minhas costas enquanto abraçava apertado. E sussurrava sonhos de que sentava no banco do carona, e não na cabine do pedágio. Ela buscava meu rosto baixo como se cobrando promessas. Ela, que me cobrava três e quarenta todos os dias, agora queria mais do que cabe em uma carteira.

Parei na cabine ao lado no dia seguinte. Esta quase não tinha peito, mas era loura. Disse a ela que aquela era a nossa música. Ela parou, enquanto separava os sessenta centavos.


postado pelo seu candidato às 18:23 |