Renato Para Senador

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Este blog é o meu palanque. Aqui vocês vão saber um pouco mais sobre vida e obra (?) de um candidato ao Senado em 2022.

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wSexta-feira, Março 03, 2006


A vida é uma sucessão de amores. Mamãe, Xuxa, a babá Julie Andrews, Penélope Charmosa, Jéssica Rabbit e outras tantas de fases menos inocentes. Além das musas que surgem em frente às câmeras, há uma dinastia que faz parte de meu cotidiano, coleguinhas de estudos, redações e bebedeiras. Por algumas ruminei amores platônicos, mas a maioria dos casos perdidos vem das estranhas, as que entram em meu mundo por segundos fugazes, mas suficientes para eternidades de queixo caído.

Em tudo há poesia. Nas entrelinhas de discursos decorados, nos sorrisos maiores do que pede o convencional, nos gestos inseguros do doce perder de pose. O modo como afastam a mecha de cabelos para trás da orelha, o rebolado que hesita diante do gracejo. Pequenas rupturas que me fizeram entronar rainhas sem nome. A atendente do McDonald's que me perguntou se gostaria de aumentar a batata por um real, a telefonista da Cerj confortando-me com a promessa de que logo haveria uma equipe da companhia em minha rua.

A mais recente é a moça da cabine 12 da Ponte Rio-Niterói, mulata como manda os sambas, a voz cheia de gingas que me saúda com um "olá" aberto, com todos os acentos agudos que cabem na minha imaginação. Deixei de pagar a quantia exata para olhá-la por mais momentos, enquanto moedas gastas desfilam em suas mãos. Vou pegar em seus dedos ágeis e fazê-la flutuar até o banco do carona. Uma fuga para metros adiante, para namoricos em frente aos flamingos que repousam nas bostas do estaleiro Mauá. Em tudo há poesia, lembra-se? E vou embora três reais e vinte centavos mais pobre, ansioso pela próxima volta à minha cidade, certo de que só eu sou dono daquele "olá" cheio de dentes e carente de entendedores. É ela minha algo-mais, até as curvas da Ponte ou da vida me levarem a um novo coração anônimo. Vou voluvindo.


postado pelo seu candidato às 23:19 |